Domingo, Março 01, 2009
A ESSA E TANTAS OUTRAS...
Essas que se embrenharam mata adentro e se negaram aos colonizadores
e as que colaboraram e casaram com eles,
Essas que embarcaram ainda crianças
e as que ultrapassaram os limites da chegada,
Essas que levaram chibatadas e marcas de ferro quente
e as que se revoltaram e fundaram quilombos,
Essas que vieram embaladas por sonhos
e as que atravessaram nos porões da escuridão,
Essas que geraram filhas e filhos
e as que nunca pariram,
Essas que acenderam todas as espécies de velas
e as que arderam nas fogueiras,
Essas que lutaram com armas
e as que combateram sem elas,
Essas que cantaram, dançaram, pintaram e bordaram
e as que só criaram empecilhos,
Essas que escreveram e traduziram seus sentimentos
e as que nem mesmo assinavam o nome,
Essas e que clamaram por conhecimento e escolas
e as que derrubaram os muros com os dedos,
Essas que trabalharam nos escritórios e fábricas
e as que empunharam as enxadas no campo,
Essas que ocuparam ruas e praças
e as que ficaram em casa,
Essas que quiseram se tornar cidadãs
e as que imaginaram todas votando,
Essas que assumiram os lugares até então proibidos
e as que elegeram as outras,
Essas que cuidaram e trataram dos diferentes males
e as que adoeceram por eles,
Essas que alimentaram e aplacaram os vários tipos de fomes
e aquelas que arrumaram a mesa,
Essas que atenderam, datilografaram e secretariaram
e aquelas que lavaram e passaram sem conseguir atenção,
Essas que se doutoraram e ensinaram
e as que aprenderam com a vida,
Essas que nadaram, correram e pularam
e as que sustentaram a partida,
Essas que não se comportaram bem e amaram de todas as maneiras
e as que fizeram sem pedir licença,
Essas que desafinaram o coro do destino
e as que com isso abriram as alas e as asas,
Essas que ficaram de fora
e aquelas que ainda virão,
Essas e tantas outras que existiram dentro da gente
e as que viveram por nós.
Segunda-feira, Janeiro 19, 2009
Cantiga de morte e vida
Baila a cantiga comigo bailador
versa a cantiga comigo versador
toca a cantiga comigo tocador
canta a cantiga comigo cantador
Bailador veio de longe
com a arte do bailado
encantar moça bonita
invejar moço educado
acha-se dono da sorte
pois bailando essa cantiga
não teme por sua morte
mas morre por sua vida
Versador com sua rima
mostra o mundo a toda gente
ao analfabeto pobre
ao rico inteligente
versa até com quem não pode
pois versando essa cantiga
teve que correr da morte
e pedir ajuda a vida
Tocador tem vida simples
vive pelo mundo afora
não constituiu família
casou-se com a viola
de uma roda nunca foge
pois tocando essa cantiga
consegue fazer a morte
ir bailar de par com a vida
Cantador é moço novo
e de forte devoção
é devoto de São Cosme
e seu irmão, São Damião
todos pedem que ele cante
pois cantando essa cantiga
ele fez ninar a morte
e fez despertar a vida
Segunda-feira, Setembro 22, 2008
Não encontro quem me queira
não cansei de procurar
sempre penso estar à beira de encontrar
vivo assim desta maneira
quem me olha e ganha um sorriso
pensa até que sou vulgar
mas não sabe que eu só viso
um sorriso deste olhar
e no fundo o que eu preciso
é um motivo pra sonhar
se não estou no paraíso
estou bem perto de chegar
porque...
pra mim cada aventura
dura o tempo que dura
uma eternidade
ou quem sabe um segundo
a sorte é que decidirá
mas se não for a morte
não é o fim do mundo
vem o tempo e cura
o que tem de curar
Mas se não for a morte
que te separar
não é o fim do mundo
você pode esperar
vem o tempo e cura
o que tem de curar
mas se foi o meu samba
que te fez sonhar
não é o fim do mundo
vc pode esperar
vem a sorte e cura
o que tem de curar
(Thiago Mocotó)
Perfeito!!!!!!!
Terça-feira, Setembro 02, 2008
Sistêmico
Ora queima outra atina
Segunda-feira, Março 31, 2008
Até nunca mais (Ufa!)
ouvi esse samba hoje numa roda de samba e só posso dizer que ele não poderia ter vindo mais a calhar. Por essas e outras que eu não quero mais viver sem o samba!
ÚLTIMA FORMA (Paulo César Pinheiro – Baden Powell)
É como eu falei, não ia durar
eu bem que avisei, pois é,
vai desmoronar
hoje ou amanhã, um vai se curvar
e, graças a Deus, não vou ser eu
quem vai mudar, você perdeu
e sabendo com quem eu lidei
não vou me prejudicar,
nem sofrer, nem chorar
nem vou voltar atrás
estou no meu lugar
não há razão pra se ter paz
com quem só quis rasgar o meu cartaz
e agora pra mim você não é nada mais…
Mas qualquer um pode se enganar
você foi comum, pois é, você foi vulgar
o que é que eu fui fazer
quando dispus te acompanhar
porém pra mim você morreu
você foi castigo que Deus me deu.
Não saberei jamais
se você mereceu perdão
mas eu não sou capaz
de esquecer uma ingratidão
e você foi uma a mais…
Mas qualquer um pode se enganar
você foi comum, pois é, você foi vulgar
o que é que eu fui fazer
quando dispus te acompanhar
porém pra mim você morreu
você foi castigo que Deus me deu.
E como sempre se faz
aquele abraço, adeus, e até nunca mais.
Sábado, Março 22, 2008
Amigo, o pão-nosso-de-cada-dia.
Vou postar novamente um texto antigo. Porque os amigos merecem. Porque agora sou uma balzaquiana, pra lá de sentimental.
bjs.
Carola
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Nestes meus 30 anos de idade, se há uma coisa de que posso de fato me orgulhar é dos amigos que tenho. Tenho poucos, é verdade: muitos grandes colegas, mas poucos grandes amigos. Minha lista é curta porque sou bastante seletiva, implicante e demasiadamente desconfiada. Observo alguém durante anos, e isto pode não ser ainda o suficiente.
Em compensação, há aquelas amizades que surgem assim de repente e aos poucos; aquelas que não sabemos exatamente em que ponto começaram e nem quando foram declaradas. E somente nestas, eu acredito piamente.Porque amigo de verdade é assim: quando você vê, já está lá. Surge espontaneamente, e cai de pára-quedas como que convocado pelos céus para lhe dar proteção.
Esta semana, por exemplo, conversei ao telefone com um amigo meu querido demais da conta. Matei as saudades, ouvi conselhos, palpites felizes e dei alguns outros também além de algumas boas risadas - porque ele é muito engraçado. Conversamos coisas sérias, relacionamentos, trabalho e profissão. Um papo pra lá de bom. Me senti bem, me senti feliz, dessa felicidade que só um grande amigo nos traz.
Porque amigo é que nem santo só que sem o "são" e "santa" na frente do primeiro nome: ouve nossas preces e aflições, nos faz ajoelhar para rezar e ainda nos concede o milagre da multiplicação do amor-nosso-de-cada-dia.
Amém.
Quinta-feira, Janeiro 17, 2008
Contraponto para a Recaída
Vai com Deus
Composição: Teresa Cristina / João Callado
Vai, vai seguir o seu caminho
Vai, que eu estou melhor sozinho
Sofri desilusão, mas agora quero paz
Se a dor voltar, eu já sei o que fazer
Pego a viola e faço um samba pra você
O amor partiu, mas a inspiração ficou
E a melodia que eu começo a esquecer
Manhã surgiu, vento veio e me lembrou
Vai com Deus
E a alegria que esse samba me traz
Quando me esqueço de ti
Finalmente encontro a paz
Meus versos já não falam mais de saudade
O vento soprou a lembrança desse amor que já vai tarde
Sábado, Dezembro 29, 2007
A essência do GRANDE AMOR.
É essencial saber-se ser ao lado do grande amor, espreguiçar-se junto ao corpo desejado sob a vigília intensa de uma lua cheia, e deixar-se esparramar na alma de tão absorto que se está em deliciar-se com o verbo amar.
Ter um grande amor é essencial, para que se deixe a censura de lado, se saboreie a doçura de um (falso) juramento ou a acidez de um ciúmes provocado, e se prove o gosto quente que um bom pedido abusado tem.
É essencial conhecer o grande amor em toda sua essência, saber-se transbordar de alegrias e também de agonias, permirtir-se os estouros das explosões vívidas e sobretudo sentidas, e a gritaria íntima despertada por uma emoção sentida a dois.
Ter um grande amor é essencial. É essencial notar-se nú, desnudo, bastante despudorado. Perceber-se todo descoberto, sem segredos, mas ainda assim, acobertado por mistérios.
É essencial ter sua intimidade deliciosamente invadida, sentir, em seu íntimo, uma risada um pouco sem-vergonha, cheia de malícia, e um sorriso divinamente malicioso.
Ter um grande amor é mesmo essencial, ainda que se sofra pelo ser amado, que a vida se desordene por completo, e que o coração torne a fabricar gotículas diárias e insaciáveis de imenso prazer.
Ainda que, um dia, o grande amor se vá, se parta ou se reparta - ainda assim, é essencial viver o grande amor, para que se tenha o mundo girando, o coração pulsando, os pés flutuando, e o pensamento livre, tonto: pronto para o deslumbramento da arte de saber amar.
Domingo, Dezembro 16, 2007
Sentimento deveras demasiado
E poder dizer da dor que me toma.
Dizer que é demasiada
Que grita
E que deveras me assombra.
Gostaria de ser um desses grandes cientistas
E poder reinventar toda minha cronologia
fazer do anacrônico algo possível
E me tornar impune
À todo o tempo que deveras me castiga.
Gostaria de ser um desses grandes artistas
E poder pintar toda a truculência que sinto.
Pintar o vazio incrédulo
O desejo incólume
E tudo aquilo que deveras me encolhe.
Gostaria de saber vivenciar melhor o maior sentimento do mundo
E poder me desfazer de todo esse caos que me inunda.
Expelir tudo aquilo que agoniza
E que despudoramente me agita.
E viver
deliberadamente
a doce imprevisibilidade dos dias.
Talvez seja essa
a verdadeira poesia da vida.
Sexta-feira, Dezembro 07, 2007
2008 e um Feliz Natal !
desejo que nossas falas sejam capazes de emitir somente as palavras mais doces
e que nossos pés pisem passos mais largos, recheados de coragem e esperança o bastante:
que alcancem longas distâncias sem se lamentarem das dores nem dos atropelos.
Desejo que nossas mãos queiram agarrar somente o que nos é de direito, e não se cansem de tecer o mundo.
Desejo os olhos esbugalhados de tamanha a vontade de enxergar melhor a vida e a poesia que cada amigo tem.
E que cada amigo meu descubra a sua própria alegria.
E transbordando de risos e deliciosos sorrisos, compartilhe este brilho
em plena,
e estonteante harmonia.